Por conta da pandemia, muitas pessoas interromperam suas rotinas de tratamento do câncer, adiando consultas, exames e cirurgias. Os números apontam reduções drásticas dos diagnósticas de vários tipos de câncer, além de diminuição do número de cirurgias, por exemplo. Sabemos que isso não se deve à redução dos casos da doença e é exatamente esse o grande risco. Quanto mais se adia o enfrentamento do câncer, menores são as chances de cura.

A campanha da SBCO irá, por vários canais de mídia, motivar a população a retomar seus cuidados de saúde relacionados ao câncer. É importante, é claro, atenção às orientações de prevenção da covid-19, mas não se deve, por conta da pandemia, negligenciar uma doença altamente letal como o câncer.

Sobre a campanha

Sobre a campanha

Por conta da pandemia, muitas pessoas interromperam suas rotinas de tratamento do câncer, adiando consultas, exames e cirurgias. Os números apontam reduções drásticas dos diagnósticas de vários tipos de câncer, além de diminuição do número de cirurgias, por exemplo. Sabemos que isso não se deve à redução dos casos da doença e é exatamente esse o grande risco. Quanto mais se adia o enfrentamento do câncer, menores são as chances de cura.

A campanha da SBCO irá, por vários canais de mídia, motivar a população a retomar seus cuidados de saúde relacionados ao câncer. É importante, é claro, atenção às orientações de prevenção da covid-19, mas não se deve, por conta da pandemia, negligenciar uma doença altamente letal como o câncer.

Não dá mais pra esperar

46,3%

menos diagnósticos de câncer colorretal e aumento da prevalência de casos avançados no país.

148 mil

colonoscopias deixaram de ser realizadas no SUS em dois anos de pandemia.

16 mil

casos anuais de câncer de colo do útero no Brasil.

32%

de redução no número de biópsias de testículo, exame que confirma o diagnóstico de câncer.

Pandemia reduziu em 46,3% os diagnósticos de câncer colorretal e aumenta prevalência de casos avançados no país.

 

No momento em que o Brasil supera novamente a média móvel de mil mortes diárias por COVID-19, um grupo interdisciplinar de médicos e pesquisadores brasileiros traz o relato do impacto da pandemia na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer colorretal,  doença que representa 9% dos tumores malignos no país. Em “research letter” publicada na revista científica British Journal of Surgery, da Oxford Academic, os autores destacam que houve redução de 46,3% nos novos casos diagnosticados em um dos maiores centros de referência em Oncologia do país.

O texto é assinado por uma equipe interdisciplinar de cuidados ao paciente com câncer colorretal, composta por profissionais das áreas de Cirurgia Oncológica, Oncologia Clínica, Radioterapia e Epidemiologia. O autor principal, Samuel Aguiar Junior, membro do Comitê de Cirurgia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), alerta que a pandemia continuará influenciando os resultados oncológicos, como consequência de apresentação tardia da doença e dificuldade em fornecer investigação diagnóstica e tratamento neste momento em que o país se encontra na segunda onda e os hospitais estão sobrecarregados por conta da necessidade de cuidados com os pacientes com COVID-19.

 

Outra razão para a diminuição de novos diagnósticos de câncer, acreditam os autores, é o colapso dos sistemas de saúde, especialmente na saúde pública. Este efeito pode ser demonstrado indiretamente pela diminuição do encaminhamento de pacientes do Sistema Único da Saúde (SUS) na instituição, de 21% em 2019 para 14% em 2020.

 

Outro dado preocupante é o aumento da proporção de pacientes sem qualquer cobertura (de 12,4% para 22%). Este subconjunto de pacientes reflete a perda de cobertura de seguro como reflexo da queda na renda familiar e barreiras para acessar o superlotado, porém, universal, sistema público brasileiro. “É muito comum que os pacientes busquem os hospitais privados para obter acesso ao diagnóstico e tratamento, mas acabarem voltando para o já congestionado SUS, pois não podem pagar o custo integral do tratamento privado”, aponta Samuel Aguiar Junior. Este dado é ilustrado pelo aumento na proporção de pacientes privados que fizeram uma ou duas consultas e que não continuaram o tratamento pelo particular (de 18,5% para 28%).

 

Estudo

S Aguiar, Jr, R Pimenta Riechelmann, C Abdon Lopes de Mello, J C Frazão da Silva, I D Carrilho Diogenes, M Silva Andrade, T M Duarte de Miranda Marques, P R Stevanato, T Santoro Bezerra, M L Gobo Silva, A Lopes, M P Curado, Impact of COVID-19 on colorectal cancer presentation, British Journal of Surgery, 2021;, znaa124, https://doi.org/10.1093/bjs/znaa124

 

 

 

MENOS CASOS, MAIS AGRESSIVOS E MENOR ACESSO

 

O estudo “Impact of COVID-19 on colorectal cancer presentation” é uma análise transversal e observacional, que comparou os novos casos de câncer colorretal admitidos entre 1 de março e 31 de julho de 2020 com o mesmo período de 2019, no A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo. O número de pacientes diagnosticados caiu de 108 no período referente a 2019 para 58 em 2020, compreendendo uma redução de 46,3%.

 

Ao menos 148 mil colonoscopias deixaram de
ser realizadas no SUS em dois anos de pandemia

O rastreamento do câncer colorretal por colonoscopia foi afetado durante os dois primeiros anos de Covid-19, aponta a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Comparado com 2019, houve redução de 30,4% em 2020 e de 12,4% em 2021 no número de exames no SUS. A colonoscopia tem o potencial de evitar a doença, pois possibilita retirar pólipos que podem evoluir para câncer no intestino grosso e reto.

O câncer colorretal (intestino grosso/cólon e reto) é o segundo tumor maligno, excluindo o câncer de pele não melanoma, mais comum em homens e mulheres, atrás apenas, respectivamente, de câncer de próstata e mama. São 41 mil novos casos previstos para 2022, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer.

 

Ao menos 148 mil colonoscopias deixaram de ser realizados no Sistema Único de Saúde nos últimos dois anos.

Este número foi levantando pela SBCO ao conferir o banco de dados do DATASUS. O sistema registra a realização de 347.098 colonoscopias em 2019. Em 2020, quando houve medidas mais restritivas para contenção da disseminação do SarsCov-2, o que incluiu o fechamento de serviços de colonoscopia, foram realizados 241.329 exames (redução de 30,4% no ano passado). Em 2021, foi registrada uma retomada na procura pelo exame, porém, observou-se ainda uma significativa redução (304.004 colonoscopias, um volume 12,4% menor em relação a 2019).

Quais são os sinais de alerta? – Alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados), assim como alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas), são sintomas de alerta, que devem ser investigados. Os demais sintomas mais comuns são sangue nas fezes, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia e perda de peso sem causa aparente.

Como prevenir? – Recomenda-se a adoção de uma dieta que contemple o consumo de frutas e hortaliças, assim como evitar o consumo de alimentos processados e de bebidas alcoólicas, refrigerantes e outras bebidas açucaradas.  Moderação também é a palavra-chave em relação à carne vermelha e alimentos calóricos e/ou gordurosos. Os demais fatores de risco são sedentarismo, obesidade e tabagismo.

A hereditariedade representa entre 5% a 10% dos casos, sendo a síndrome de Lynch a mais prevalente. Há também a polipose adenomatosa familiar, que é quando os pacientes apresentam um maior número de pólipos, devendo ser submetidos mais frequentemente à colonoscopia. 

O câncer de colo do útero, que registra mais de 16 mil casos anuais no Brasil, é uma doença que não só pode ser diagnosticada precocemente.

Em 2019, apenas 22% dos meninos e 51% das meninas foram imunizados.

 

Dados do estudo EVITA trouxeram alguns motivos mais frequentemente relatados para a não realização do Papanicolau: falta de vontade em 46,9%, vergonha ou constrangimento em 19,7%, e falta de conhecimento em 19,7%. Este estudo também demonstrou que a baixa adesão ao papanicolau está associada a disparidades sociais, menor renda, nível educacional e parceiro estável. 

O Brasil registra mais seis mil mortes anuais por câncer de colo do útero. As chances de cura são menores quando a doença evolui para metástase. O tumor pode se espalhar para órgãos próximos, como a vagina, bexiga ou intestino grosso/reto (colorretal), mas também há casos de metástase à distância, chegando a órgãos como fígado, cérebro e pulmão.

 

A contaminação pelo vírus HPV é fator causal para quase todos os casos de câncer de colo do útero. Para imunização dos HPVs oncogênicos 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos tumores malignos no colo uterino, há vacina disponível na rede pública. A vacina quadrivalente, que protege contra os HPVs 16 e 18, também previnem os HPVs 6 e 11, que são responsáveis pela maioria das verrugas genitais.

 

A vacina quadrivalente é aplicada gratuitamente pelo SUS e é indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos. Em razão da baixa adesão às campanhas de vacinação contra HPV e gargalos no acesso ao exame Papanicolau, o Brasil apresenta alta incidência e mortalidade por câncer de colo do útero.

O câncer de tireóide é hoje o quarto mais comum no Brasil entre as mulheres, com 11.950 casos novos previstos para 2022. Entre os homens, são esperados 1830 novos casos este ano. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce, as chances de cura superam os 95%.

Atenção aos fatores de risco…
– Sexo feminino – Os motivos estão sendo estudados para o fato de o câncer de tiroide ser mais comum ente as mulheres. A doença é mais comum na faixa dos 30 aos 40 anos. 
– Exposição à radiação: crianças expostas à radiação, por exemplo, em tratamentos para tumores de cabeça e pescoço têm risco aumentado de desenvolver o câncer de tiroide do tipo carcinoma papilífero. 
– Hereditariedade: O câncer de tiroide é mais comum entre pessoas portadoras de algumas doenças hereditárias como síndrome de Gardner, polipose familial, síndrome de Li-Fraumeni ou doença de Cowden.

…e aos sintomas
– Nódulo no pescoço, que raramente vezes cresce depressa; 
– Geralmente é indolor, mas pode incomodar na parte da frente do pescoço, que às vezes irradia para os ouvidos; 
– Rouquidão ou mudança no timbre de voz que não desaparece com o tempo; 
– Dificuldade para engolir; 
– Dificuldade para respirar (com a sensação de que se está respirando por um canudinho); 
– Tosse que não para e não se deve a gripe
– Outros cânceres de pescoço e outras doenças benignas podem causar os mesmos sintomas.  
– A maioria dos nódulos de tiroide é benigna, mas só um exame mais detalhado pode identificar se há um câncer ou não. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de sucesso do tratamento.

Um terço a menos das biópsias de testículo em 2020 – Ao analisar os dados do DATASUS, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica observa que em 2020 houve redução no Brasil, quando comparado com 2019, de 32% no número de biópsias de testículo, exame que confirma o diagnóstico de câncer. “Houve uma grande demanda reprimida como reflexo da pandemia. Ao perceber sinais no corpo, a ida ao médico não pode ser negligenciada”, alerta o cirurgião oncológico Héber Salvador, presidente da SBCO.

Nos Estados Unidos, onde são registrados cerca de 10 mil novos casos anuais de câncer de testículo, 99% dos pacientes estão vivos cinco anos após o tratamento quando a doença é diagnosticada na fase mais inicial. Quando há disseminação à distância (metástase), a sobrevida em cinco anos cai para 72,5%. Os dados são do SEERs, levantamento do National Cancer Institute (NCI), dos Estados Unidos.

 

FATORES DE RISCO

 

Idade: a maioria dos casos ocorre entre as idades de 15 e 50 anos, sendo o mais comum no mundo na faixa dos 15 aos 34 anos.

Raça: Os homens brancos têm de 5 a 10 vezes mais chances de desenvolver câncer testicular do que os homens de outras raças.

 

Herança genética – Quando há história familiar de câncer de testículo, o risco é aumentado.

Criptorquidia – Condição na qual o testículo não desceu para o escroto é importante fator de risco. Homens que fizeram cirurgia para corrigir esta condição também têm risco de desenvolver câncer testicular.

 

Síndrome de Klinefelter: risco aumento também para quem apresenta esse transtorno cromossômico sexual, que é caracterizado por baixos níveis de hormônios masculinos, esterilidade, aumento dos seios e testículos pequenos.

Vírus da imunodeficiência humana (HIV) e tratamento anterior para câncer testicular também são fatores de risco e requerem maior atenção.

 

SINTOMAS

  • Nódulo pequeno, duro e indolor
  • Mudança na consistência dos testículos
  • Sensação de peso no saco escrotal
  • Dor incômoda no baixo ventre ou na virilha
  • Dor ou desconforto no testículo ou no saco escrotal
  • Crescimento da mama ou perda do desejo sexual
  • Crescimento de pelos faciais e corporais em meninos muito jovens
  • Dor lombar

 

TRATAMENTO

A abordagem terapêutica é definida caso a caso. A cirurgia, chamada de orquiectomia, é feita para remover o testículo com uma incisão na virilha. Nesse momento, amostras de tecido são examinadas para determinar o estágio do câncer. Os tumores de testículo do tipo seminoma (o mais comum) são tratados com cirurgia, muitas vezes, associada com radioterapia ou quimioterapia a depender do estadiamento (fase de descoberta da doença).

Epidemiologia do câncer de testículo – Ao contrário da faixa etária de maior incidência e prevalência, quando considerados os homens a partir de 35 anos o câncer de testículo aparece apenas na 22ª posição, o que equivale a ser 35 vezes menos comum que o câncer de próstata. Ao todo, são 74 mil novos casos anuais de câncer de testículo no mundo (35 mil deles entre 15 e 34 anos). Os dados são do levantamento Globocan 2020, da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS).

SBCO

Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é também trabalhar pela educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira.


Com mais de 1420 e 21 Regionais, a SBCO se tornou uma das Sociedades médicas mais influentes e importantes do Brasil! Fazemos parte, somos ouvidos e temos assento em praticamente todas as instâncias e comitês públicos e privados de regulação ao câncer, bem como em importantes veículos de imprensa e de informação pra Sociedade.